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Do Livro "Silver Lining", Hamilton Aguiar
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CONSTANCE SCHWARTZ
Diretora e Curadora-chefe

Museu de Arte do Condado de Nassau

Roslyn Harbor, Nova Iorque

[Página 11]:

HAMILTON AGUIAR

Esta é a floresta primordial.
Os pinheiros e as cicutas murmurantes...

Assim escreveu o poeta Henry Wadsworth Longfellow em “Evangeline”. A floresta desapontou, silente, primordial. Impressionante e, aparentemente, à uma com a eternidade, os elementos da natureza foram uma força onipotente e revitalizante para o espírito do homem.

Por muitos séculos, os artistas se voltaram para este macrocosmo da natureza utilizando-o como tema, explorando, desta forma, extenso simbolismo e implicações filosóficas. Estas imagens ajudaram a renovar a força espiritual tanto dos artistas quanto dos observadores, e deram voz à força criativa que existe dentro da beleza verdadeira.

A postura de Hamilton Aguiar considera que Arte e Natureza são coisas diferentes. Ele tem, visivelmente, em seus próprios termos, reconstituído a Natureza na Arte, transformado seus motivos através do uso inovador dos meios e métodos de cor, tonalidade, forma, textura e design. Suas pinturas se resumem a formas simplificadas, em uma síntese da silhueta elementar da natureza, que trazem as imagens ao limite da pura abstração. Em suas paisagens, as particularidades de tempo e lugar são reduzidas a uma ode atemporal. As paisagens de Aguiar proporcionam um realismo polido e meticuloso. Elas se estruturam em elementos primariamente horizontais e verticais que estão, essencialmente, no mesmo plano. De forma similar, essa pintura, de dimensão espacial limitada, se torna, cada vez mais uma das principais características do modernismo.

Aguiar dá ênfase ao tema emocional e psicológico da luz como determinante primário de suas pinturas, similarmente às características do Luminismo que constituiu um estilo da Escola de Arte Americana Hudson River entre 1850 e o início da década de 1870. Seus efeitos atmosféricos são alcançados pelas gradações infinitamente cuidadosas de tons, sendo que cada paisagem se torna uma suspensão translúcida do tempo evocado a partir de uma técnica dos antigos mestres que aprenderam com o renomado mestre do faux finishing(acabamento artificial), Ken Verosko. Uma quantidade vultosa de folha de prata é aplicada sobre toda a tela, por cima de uma superfície cuidadosamente coberta de gesso, seguida de até doze camadas de tinta a óleo. Depois, então, vem a gravura e a raspagem do fundo em prata com uma ferramenta criada especialmente para isto. A técnica é uma forma de arte em si mesma.

Nas artes, as representações da natureza sempre se basearam em um estudo detalhado. Na tentativa de recriar vida, o real freqüentemente toma um caráter imaginário entre a luz cegante do mundo externo da realidade e a mente subconsciente interna do artista. Na obra de Aguiar, as árvores da floresta parecem estar enraizadas em uma realidade que sugere uma ordem e harmonia divinas, ou parecem flutuar em relacionamentos extraordinariamente desincorporados e exóticos, de cor brilhante como jóia tão absolutamente intensa que parece artificial. O pólen artificial do meio utilizado pelo artista, a técnica , que faz com que estas paisagens sejam diferentes de qualquer outra, torna real sua frágil delicadeza, mas também é o meio pelo qual se separam do mundo natural. As pinturas brilham na luz irreal e interna que fornecem, lembrando-nos de que, por mais realisticamente que o objeto seja retratado, ele é o realismo de uma imaginação pintada e é a assinatura final do artista. Aqui, Aguiar mostra o triunfo do espírito humano manifestado na fusão da arte e da vida nestas pinturas atemporais.

O dramático jogo de luz e sombra traz para a intensa projeção toda a visão cênica e variação da escala de massa. Podemos encontrar uma penetrante fidelidade aos detalhes que representam o local específico e ainda transcendem o particular, criando, freqüentemente, um estado de solidão e isolamento que se esparrama sobre as imagens. A história do artista, nascido no Brasil em 1965, tendo vindo para os Estados Unidos em 1987, e sua aventura por todos os cantos de Hamptons e suas enfáticas luzes e praias, não estão reveladas em suas paisagens. Em vez disso, a enfática veracidade de Aguiar obtém êxito em sugerir o universal em uma composição classicamente balanceada. O céu é delicadamente claro, a folhagem meticulosamente aparada – quer brilhando na luz ou repousando calmamente na sombra – é igualmente marcada pelos matizes da natureza. Em algumas obras, o primeiro plano é ostentoso, quente e rico, a distância desaparece com a devida gradação; em outras, partes do primeiro plano médio são tocadas com cores quentes que ele transforma para que se adaptem às suas próprias finalidades, estabelecendo, desta forma, seu individualismo distinto. Nas cores vibrantes do pôr-do-sol, o artista revela tênues reflexos no solo. A exploração cromática de cores no segundo plano: vermelhos, rosas, vinhos, pratas e dourados - quase liberta a pintura de seus laços para uma imagem firmemente ligada ao solo, trazendo a paisagem para um grandioso plano espiritual de esplendor poético.

Aguiar representa a dramática narrativa da natureza e, independentemente da proporção, cada pintura é um panorama que iguala grandeza e amplidão. Apesar de os trabalhos expressivos se referirem ao mundo perceptível dos elementos naturais, o movimento das formas é estabelecido em termos angulares e abstratos simplificados, com base em uma ordem espacial bem estruturada. Estas vistas desabitadas evocam a proximidade de um Criador invisível.

Charles Burchfield, em uma declaração que parece refletir a arte de Aguiar, escreveu que “um artista tem de pintar, não aquilo que vê na natureza, mas aquilo que lá está... Ele não tenta extrapolar a natureza; sua obra é superior às aparências superficiais da natureza, mas não às suas leis básicas.”(1)

Aguiar continua a buscar o papel social da arte fixando o pensamento na forma estética, estabelecendo claramente os conceitos mutáveis da natureza em um projeto vitalizado, iluminando-os e tornando-os acessíveis aos sentidos.

CONSTANCE SCHWARTZ
Diretora e Curadora-chefe

Museu de Arte do Condado de Nassau

Roslyn Harbor, Nova Iorque

(1) Citado em Joseph S. Trovato, Charles Burchfield (Utica, Museu de Arte de Nova Iorque, Instituto Munson-Williams-Proctor, 1970), p.291.

Denise C. Werner L. Campolina
Tradutora Juramentada
No Vernáculo Traduções Ltda.
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